domingo, 7 de março de 2010

Nem calor nem frio nesse mês de março. Meses, três, para ser mais exata. Meses sem frio nem calor. Se fosse questão de sensação térmica, diria que hoje estou com frio.
Não quero mais. Uma porção de coisas que eu não quero mais. Eu quero, quero tantas outras porções de coisas, não-coisas, coisetes.
Eu quero falar mais. Eu quero escrever menos. Mas eu quero escrever, e eu não quero falar.
Eu não posso nem falar, nem escrever o que eu quero.
Quero, quero, quero, quero, quero, eu quero.
Eu não quero mais a nostalgia do mês de outubro. Meses, dois pra ser mais exata. Eu não quero mais a nostalgia de outubro e novembro. Eu não quero mais o frio de março, nem a falta de calor e frio de Dezembro, janeiro e fevereiro, que segundo os meteorologistas deveriam ser meses quentes.
Coisas assim acontecem. Por que coisas assim acontecem?


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Acabei de ler uns escritos de Caio Fernando Abreu, que eu não gostava de ler porque achava muito auto-ajuda, adorei.
Quero ter paciência de escrever tudo que tô pensando agora, mas tem umas formigas aqui nas minhas costas, e eu já estou enlouquecendo.
O ano tá acabando, quer dizer, ainda é 15 de dezembro, e ainda faltam mais 15 dias pra frente pro martírio realmente ter fim. Estou quase de férias, faço uma prova hoje de noite e adeus unviersidade até 2010.
Voltando ao Caio Fernando, eu quero mais amor, quero mais olhares, quero mais cheiro, quero mais, afinal.
Passei o ano me conformando em receber migalhas, até finalmente perceber que mereço mais, que posso ter mais, e por isso terei mais.
Eu não quero mais beijos, não quero mais abraços, mais, mais, mais... eu quero é amor mesmo, quero ouvir um eu te amo, quero sentir verdade.
Cansei de ouvir que sou maravilhosa, que sou linda, engraçada, irresistível, eu sou gorda, tenho o cabelo emaranhado e a cara cheia de espinha, minha perna tem estrias e celulites, e minha bunda é horrível, assim como os meus enormes seios! Mesmo assim, sei que mereço ser amada, e que posso ser amada, portanto, me ame.
É, isso não é uma daquelas coisas que podemos obrigar alguém a fazer, o amor vem por acaso, não sei direito como vem, mas ele vem, e consegue ser lindo.
Eu amei várias pessoas na minha vida, amo alguém agora, mas fico pensando se apenas amar fez de mim alguém mais feliz, não fez.
Meus amores foram paixões, foram quereres arrebatadores, eu queria ficar grudada o dia todo, queria absorver e ser absorvida, queria ficar olhando o sorriso toda hora, olhando os olhos, olhando as mãos, é, acho que eu fui feliz, mas não valeu.
Não entendo, eu quero entender, mas eu não consigo. Não consigo confiar, acreditar que alguém realmente me ame, fico achando que serei trocada pela musa de alguma estação a qualquer momento. Acordo achando que ele vai me olhar e dizer: não dá mais.
Não dá mais é pra viver assim, eu preciso de certezas, eu preciso ter uma convicção, preciso acreditar que sou amada, e que serei tão amada que em algum momento não vou mais aguentar e sairá amor pelos meus poros, pelos meus olhos, bocas e demais orifícios.
Não me sinto amada, tão pouco desejada, eu não me sinto, nem sinto nada, e isso é horrível.
Eu amo, devo amar, se não for amor isso que tá aqui como um nó na minha garganta, não sei mais o que é.
Eu vivo chorando, tenho vontade de chorar o tempo todo, porque eu realmente não entendo, eu escutava o "eu te amo" dele, e me soava tão verdadeiro, isso no começo, que foi a dois meses atrás, e já parece que foi uma vida, e tô aqui me queixando com minha filha de quarenta anos.
Agora não escuto mais nada além de "obrigado por me amar", é errado querer ouvir um eu te amo? Acho que não, ainda mais eu, que passei o ano, se não a vida sentimental inteira só escutando palavras profanas sem sentido algum. Logo eu que me sentia vazia, me sentia um trapo, uma sacola de lixo, não, não é errado querer ser uma bolsa cara agora.
Eu queria acabar esse ano feliz, apaixonada, saltitante, mas acho que não vou, não quero esperar dar meia-noite e um minuto pra decidir fazer tudo diferente nesse 2010, talvez eu não consiga honrar minhas decisões, como não consegui esse ano.
Eu não sei mais o que dizer, na verdade só vin aqui escrever para contradizer meu post anterior, onde eu não conseguia escrever nada porque estava feliz, ou vin aqui comprová-lo, já que estou triste e escrevendo. Vou da alegria à tristeza em segundos, talvez eu seja bipolar, ou talvez seja humana, talvez ainda seja adolescente, talvez seja louca, talvez queira só escrever coisas que ninguém vai ler, talvez, talvez.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Tenho que lembrar de não esquecer que tenho um blog.
Até porque aqui é meu escape, o lugar por onde escorro minhas angustias e frustrações...
Enfim.
Não sei escrever com gente perto de mim, e ultimamente não sei ficar sozinha também, aí lasca.
Sinto falta dos meus momentos de solidão, mas também não os quero mais, não sei como resolver.
Sei que é preciso calar, e pensar, para se resolver as coisas, mas também não tenho nada pra resolver, e isso em si me estressa. Sou o tipo de pessoa que precisa de uma carga enorme de tristezas, problemas e lamentações pra poder criar. Vivo criando confusões diárias dentro de mim e com o mundo, coisas sem importância ou necessidade, apenas pra eu poder evacuar o que há dentro de mim, aquilo que guardo no instestino e no coração.
Preciso chorar todo o tempo, preciso de uma dor me apertando a alma, preciso de uma fagulha me queimando por dentro, e não venha com essa que sou louca, todos precisamos disso.
É isso, perdi minha inspiração porque agora sou feliz, e não falar sobre felicidade, só sei falar de dor. Porque eu era toda dor, e agora nem isso sou mais. Me reduzi a uma pessoa tipicamente feliz e apaixonada, me tornei uma dessas pessoas que eu odeio todo dia.
Não existo mais, me acabei.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Tocar...
Sentir tudo com as mãos, pés, lábios, orelhas e afins.
Não é simplesmente pegar ou andar... é sentir.
Entrar em contato com as folhas, flores, o asfalto.
Eu não quero mais isso de simpesmente passar sem notar.
Até meus cílios tocam
O travesseiro quando eu acordo, me viro e esfrego o rosto nele,
que também me sente.
Quero representar, ser concreto, abstrato, eu quero mais...
Sentir, sem ti.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Não é que eu só escreva aqui quando estou aperriada, eu não estou, estou.
Existe um conflito, existe uma escolha, existo enfim.
Eu sou uma contradição, mas quem não é?
Negar nossos impulsos é negar tudo que nos torna humanos.
A gente cresce e descobre que chorar não resolve as coisas... o que é que vou fazer se tenho um coração maior que o mundo?
Não vou me jogar da varanda e não vou cortar os pulsos só porque o querer não pode ser querido, querido.
Enfim, vou deixar meu sangue descansando numa tigela, vou deixar coagular, assentar no fundo as dores, as faltas, os nãos, o sim, os "já vou".
Eu vou deixar a chave na porta e não vou tocar nela, então a responsabilidade de sair é sua.
Não minha, na minha, sua casa.
O que é mesmo que ainda tem pra querer? Você.
O que é mesmo que ainda tem pra se ver? Você.
Deito, descanso, despejo uma lágrima de por que, eu sei usar por que.
Se é assim pode ser, acho que vim pra te ver.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Não consigo dormir.
Tenho os olhos dos que choram, o coração dos que sentem...
Poderia passar o resto dessa madrugada entorpecida pelos meus próprios devaneios. É, poderia, mas não vou, não tenho coragem.
Eu poderia dizer o quanto você me faz falta, como diria Clarice, sinto sua falta como a um dente da frente, excrucitante.
Alguns me tomam por exagerada, ou até mesmo covarde, com aquela historia de que quem sente falta, fala.
Eu nunca vou dizer isso a você, pois é, nunca conversaremos sobre isso, e sendo assim, você nunca saberá dessa dor que me causou por simplesmente não estar.
O que eu faço agora? Está mais perto do que longe esse reencontro, e eu sinto medo.
Será tudo como era antes, mas como pode ser? Eu mudei.
Amizade.
Saudade.
Não sei mais...
Ao menos agora acho que valorizarei mais seu passar de mão na barba, e seu meio sorriso.
Sua cara de sinismo que me deixava constrangida, sei que quando revê-la me encherei de felicidade. E até mesmo agora, fico feliz só de lembrar.
Sem dúvida és uma boa lembrança pro meu espírito e um alimento pra minha carne.
Talvez você nunca saiba, mas eu desejei todos os dias a sua volta.
Não sei ser passional o suficiente, mas meus olhos não me deixarão mentir, de uma forma ou de outra, quando seu oxigênio se misturar ao meu você saberá, e pensará: "essa mulher me quer".
Se não notar eu desisto, não haverá mais nada pra fazer.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Maria.

Maria disse que isso já estava indo longe demais, não podia viver por aí, chorando no canto das paredes. Onde já se viu? passar o dia todo ouvindo música triste e lembrando o que não foi? Maria emagreceu, e depois engordou de novo. Comia pra esperar o tempo passar, e comia também pra esse tempo passar mais rápido. Maria não sai mais de casa, ela disse que não tem graça, o fora e as pessoas que habitam esse fora, o problema de Maria é que ela quer só José.
José disse que é feliz do jeito que está, ele não sente falta de nada, nem de Maria. Por isso, Maria vive pelos cantos.
Eu juro, Maria me disse que ia dar um ponto final nisso, ela me disse, mas mentiu.
Ontem encontrei Maria, estava sentada no banco da praça, fiquei feliz, pensei "Que bom, Maria saiu de casa", sentei do lado dela, ela nem me olhou, começou a falar, aquelas mesmas coisas que ela me diz sempre que nos encontramos... Maria diz que não entende, diz que fez tudo certo, como pode ter dado errado?
Lembro que quando nos conhecemos vi de cara que ela era a pessoa mais maluca com quem eu já tinha me relacionado. Maria tinha uma alegria no olhar, e uma energia que não acabava nunca! Maria era do tipo que traz você pra vida, não perde uma piada, nem um sorriso, nunca tinha visto Maria chorar.
Lembro que quando decidimos que o relacionamento não ia mais andar, Maria tratou logo de fazer uma piada, e ficamos rindo disso um bom tempo. Eu não entristeci porque tinha perdido Maria, eu tinha a achado, isso pra mim foi revigorante. Saímos abraçadas, Maria me apontando o céu, falando da nuvem que era coelho, mas tinha peito de bode, Maria definitivamente não era daqui. Maria conheceu José. Maria correu pra me dizer todas as qualidades dele, que ela nem sabia que uma pessoa podia ter, dava gosto ver os dois, duas crianças, dois adultos, dois irmãos e dois amantes. Aquilo não podia dar certo. Maria não era sincera, com ela mesma.
Maria dizia que não conseguia gostar de uma pessoa só, que tinha sentimento pra ela e o mundo todo, eu disse que isso não tinha como ser. Maria batia o pé e dizia: "Franciscaaaaaa, eu tô te dizendo, não consigo gostar só do José." Claro que não, José também não sabia gostar só de Maria, José não sabia resisitir a uma novidade. Isso não chateava Maria, afinal, José sempre voltava. Isso durou meses, essa relação, Maria nunca me disse onde começou a doer. Sim, porque sempre tem o momento que a situação se torna insustentável. Mesmo pra Maria, cem por cento disposição, Maria também sentia, por mais surpreendente que isso pudesse parecer, eu sabia, ela também tinha coração. José foi embora. Os dias de festa acabaram, o colorido acinzentou, o doce amargou na boca. Maria não saia mais, não brincava, não sorria, fechou-se. Não soube o que fazer, tentei levar Maria pro mundo, apresentei gente nova, com quem ela passava um dia e uma noite, nunca mais que isso. Acho que menti, Maria sorria sim algumas vezes, sempre que falava das boas lembranças. Quando lembrava de José, que não voltou. Maria sabia que ele não voltaria mais. Maria doía toda porque sabia. Eu não soube o que fazer, abandonei Maria. Eu pensei que ninguém podia morrer de amor, se é que isso era amor, acho que Maria estava triste porque perdeu o amigo de brincar. Porque afinal, José e Maria eram uma brincadeira boba. José e Maria eram sorrisos, eram desenhos e poemas. Maria devia estar sentindo falta. José que era comum acabou se tornando diferente. Maria sabia que não ia encontrar outro José, e chorou. Maria chorou tudo o que tinha, emagreceu tudo o que tinha, fumou tudo o que tinha, e bebeu sozinha tudo o que tinha. Maria viveu tudo o que tinha, e morreu. Maria mentiu pra mim, mentiu pra ela, e se acabou, sozinha. Maria que não soube ser passional o suficiente quando José foi embora, Maria que não soube dizer "fica". Maria que abraçou ele e desejou boa viagem. Maria que ficou com as fotos, com as músicas, mas sem José. Maria que se acabou, e se enterrou. Maria que viveu e não viveu. Maria que disse que isso de morrer estava indo longe demais. Maria que foi longe demais e não voltou. Maria não segurou a mão de José, se soltou e se acabou. Maria que fez tudo certo e errou. Maria que era minha sorrisos e dela mesma de lágrimas. Maria, sozinha, Maria.