domingo, 13 de dezembro de 2009

Tenho que lembrar de não esquecer que tenho um blog.
Até porque aqui é meu escape, o lugar por onde escorro minhas angustias e frustrações...
Enfim.
Não sei escrever com gente perto de mim, e ultimamente não sei ficar sozinha também, aí lasca.
Sinto falta dos meus momentos de solidão, mas também não os quero mais, não sei como resolver.
Sei que é preciso calar, e pensar, para se resolver as coisas, mas também não tenho nada pra resolver, e isso em si me estressa. Sou o tipo de pessoa que precisa de uma carga enorme de tristezas, problemas e lamentações pra poder criar. Vivo criando confusões diárias dentro de mim e com o mundo, coisas sem importância ou necessidade, apenas pra eu poder evacuar o que há dentro de mim, aquilo que guardo no instestino e no coração.
Preciso chorar todo o tempo, preciso de uma dor me apertando a alma, preciso de uma fagulha me queimando por dentro, e não venha com essa que sou louca, todos precisamos disso.
É isso, perdi minha inspiração porque agora sou feliz, e não falar sobre felicidade, só sei falar de dor. Porque eu era toda dor, e agora nem isso sou mais. Me reduzi a uma pessoa tipicamente feliz e apaixonada, me tornei uma dessas pessoas que eu odeio todo dia.
Não existo mais, me acabei.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Tocar...
Sentir tudo com as mãos, pés, lábios, orelhas e afins.
Não é simplesmente pegar ou andar... é sentir.
Entrar em contato com as folhas, flores, o asfalto.
Eu não quero mais isso de simpesmente passar sem notar.
Até meus cílios tocam
O travesseiro quando eu acordo, me viro e esfrego o rosto nele,
que também me sente.
Quero representar, ser concreto, abstrato, eu quero mais...
Sentir, sem ti.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Não é que eu só escreva aqui quando estou aperriada, eu não estou, estou.
Existe um conflito, existe uma escolha, existo enfim.
Eu sou uma contradição, mas quem não é?
Negar nossos impulsos é negar tudo que nos torna humanos.
A gente cresce e descobre que chorar não resolve as coisas... o que é que vou fazer se tenho um coração maior que o mundo?
Não vou me jogar da varanda e não vou cortar os pulsos só porque o querer não pode ser querido, querido.
Enfim, vou deixar meu sangue descansando numa tigela, vou deixar coagular, assentar no fundo as dores, as faltas, os nãos, o sim, os "já vou".
Eu vou deixar a chave na porta e não vou tocar nela, então a responsabilidade de sair é sua.
Não minha, na minha, sua casa.
O que é mesmo que ainda tem pra querer? Você.
O que é mesmo que ainda tem pra se ver? Você.
Deito, descanso, despejo uma lágrima de por que, eu sei usar por que.
Se é assim pode ser, acho que vim pra te ver.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Não consigo dormir.
Tenho os olhos dos que choram, o coração dos que sentem...
Poderia passar o resto dessa madrugada entorpecida pelos meus próprios devaneios. É, poderia, mas não vou, não tenho coragem.
Eu poderia dizer o quanto você me faz falta, como diria Clarice, sinto sua falta como a um dente da frente, excrucitante.
Alguns me tomam por exagerada, ou até mesmo covarde, com aquela historia de que quem sente falta, fala.
Eu nunca vou dizer isso a você, pois é, nunca conversaremos sobre isso, e sendo assim, você nunca saberá dessa dor que me causou por simplesmente não estar.
O que eu faço agora? Está mais perto do que longe esse reencontro, e eu sinto medo.
Será tudo como era antes, mas como pode ser? Eu mudei.
Amizade.
Saudade.
Não sei mais...
Ao menos agora acho que valorizarei mais seu passar de mão na barba, e seu meio sorriso.
Sua cara de sinismo que me deixava constrangida, sei que quando revê-la me encherei de felicidade. E até mesmo agora, fico feliz só de lembrar.
Sem dúvida és uma boa lembrança pro meu espírito e um alimento pra minha carne.
Talvez você nunca saiba, mas eu desejei todos os dias a sua volta.
Não sei ser passional o suficiente, mas meus olhos não me deixarão mentir, de uma forma ou de outra, quando seu oxigênio se misturar ao meu você saberá, e pensará: "essa mulher me quer".
Se não notar eu desisto, não haverá mais nada pra fazer.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Maria.

Maria disse que isso já estava indo longe demais, não podia viver por aí, chorando no canto das paredes. Onde já se viu? passar o dia todo ouvindo música triste e lembrando o que não foi? Maria emagreceu, e depois engordou de novo. Comia pra esperar o tempo passar, e comia também pra esse tempo passar mais rápido. Maria não sai mais de casa, ela disse que não tem graça, o fora e as pessoas que habitam esse fora, o problema de Maria é que ela quer só José.
José disse que é feliz do jeito que está, ele não sente falta de nada, nem de Maria. Por isso, Maria vive pelos cantos.
Eu juro, Maria me disse que ia dar um ponto final nisso, ela me disse, mas mentiu.
Ontem encontrei Maria, estava sentada no banco da praça, fiquei feliz, pensei "Que bom, Maria saiu de casa", sentei do lado dela, ela nem me olhou, começou a falar, aquelas mesmas coisas que ela me diz sempre que nos encontramos... Maria diz que não entende, diz que fez tudo certo, como pode ter dado errado?
Lembro que quando nos conhecemos vi de cara que ela era a pessoa mais maluca com quem eu já tinha me relacionado. Maria tinha uma alegria no olhar, e uma energia que não acabava nunca! Maria era do tipo que traz você pra vida, não perde uma piada, nem um sorriso, nunca tinha visto Maria chorar.
Lembro que quando decidimos que o relacionamento não ia mais andar, Maria tratou logo de fazer uma piada, e ficamos rindo disso um bom tempo. Eu não entristeci porque tinha perdido Maria, eu tinha a achado, isso pra mim foi revigorante. Saímos abraçadas, Maria me apontando o céu, falando da nuvem que era coelho, mas tinha peito de bode, Maria definitivamente não era daqui. Maria conheceu José. Maria correu pra me dizer todas as qualidades dele, que ela nem sabia que uma pessoa podia ter, dava gosto ver os dois, duas crianças, dois adultos, dois irmãos e dois amantes. Aquilo não podia dar certo. Maria não era sincera, com ela mesma.
Maria dizia que não conseguia gostar de uma pessoa só, que tinha sentimento pra ela e o mundo todo, eu disse que isso não tinha como ser. Maria batia o pé e dizia: "Franciscaaaaaa, eu tô te dizendo, não consigo gostar só do José." Claro que não, José também não sabia gostar só de Maria, José não sabia resisitir a uma novidade. Isso não chateava Maria, afinal, José sempre voltava. Isso durou meses, essa relação, Maria nunca me disse onde começou a doer. Sim, porque sempre tem o momento que a situação se torna insustentável. Mesmo pra Maria, cem por cento disposição, Maria também sentia, por mais surpreendente que isso pudesse parecer, eu sabia, ela também tinha coração. José foi embora. Os dias de festa acabaram, o colorido acinzentou, o doce amargou na boca. Maria não saia mais, não brincava, não sorria, fechou-se. Não soube o que fazer, tentei levar Maria pro mundo, apresentei gente nova, com quem ela passava um dia e uma noite, nunca mais que isso. Acho que menti, Maria sorria sim algumas vezes, sempre que falava das boas lembranças. Quando lembrava de José, que não voltou. Maria sabia que ele não voltaria mais. Maria doía toda porque sabia. Eu não soube o que fazer, abandonei Maria. Eu pensei que ninguém podia morrer de amor, se é que isso era amor, acho que Maria estava triste porque perdeu o amigo de brincar. Porque afinal, José e Maria eram uma brincadeira boba. José e Maria eram sorrisos, eram desenhos e poemas. Maria devia estar sentindo falta. José que era comum acabou se tornando diferente. Maria sabia que não ia encontrar outro José, e chorou. Maria chorou tudo o que tinha, emagreceu tudo o que tinha, fumou tudo o que tinha, e bebeu sozinha tudo o que tinha. Maria viveu tudo o que tinha, e morreu. Maria mentiu pra mim, mentiu pra ela, e se acabou, sozinha. Maria que não soube ser passional o suficiente quando José foi embora, Maria que não soube dizer "fica". Maria que abraçou ele e desejou boa viagem. Maria que ficou com as fotos, com as músicas, mas sem José. Maria que se acabou, e se enterrou. Maria que viveu e não viveu. Maria que disse que isso de morrer estava indo longe demais. Maria que foi longe demais e não voltou. Maria não segurou a mão de José, se soltou e se acabou. Maria que fez tudo certo e errou. Maria que era minha sorrisos e dela mesma de lágrimas. Maria, sozinha, Maria.

sábado, 26 de setembro de 2009

Afogando as mágoas.

Como é que eu começo dizendo isso? Pra não parecer assim, sentimental demais?
Acho que não tem como... então, como todas vezes, eu evitarei falar?
Calarei.
Eu sempre calo.
As palavras chegam até minha boca, nesse longo processo pensar-falar, e eu simplesmente as ignoro, as engulo.
O problema é que eu não te levo a sério, nem você a mim.
Decifrei nosso problema, se é que é problema... vejo mais como possibilidade.
Acho que com você sinto tudo de uma vez... raiva, amor, nojo, saudade, tesão, carinho, amizade...
Isso tá complexo demais pra mim.
E depois de hoje então...
Quantas reticências nesse maldito texto... é essa nossa subjetividade, novamente o problema, não temos objetividade nenhuma juntos.
Diria mais, não temos funcionalidade, é só mediocridade, comodidade e disponibilidade.
Idades, idades e idades, que temos demais e de menos, não temons exatamente nada no grau certo.
É isso mesmo, tá tudo errado aqui, e eu gosto e desgosto, é tudo de uma vez.
Ave Maria, de manhã faz calor e de noite frio.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Eu gosto de saber o que está acontecendo, uma pessoa antenada né?
Mas que nada.
Como saber do mundo quando não se sabe de si?
É ter sempre uma solução mágica para os problemas dos outros, aqueles problemas que estão distante, que não nos machucam de alguma forma... mas pra os que estão aqui dentro, os que nos esmagam por dentro, aqueles problemas que preferimos ficar inertes diantes deles... resolver? Jamais, seria muito complicado.
Talvez um sentimento de culpa por deixar que tão pouca coisa tome uma proporção tão grande dentro da gente... vai ver é preguiça mesmo.
Tenho preguiça de me jogar de cabeça, tenho preguiça de conversar, tenho preguiça de tentar viver... mas é claro! Nem da cama eu me levanto mais.
Parece que amarraram uma pedra no meu pé, e me deixaram aqui, nesse quarto, enclausurada. Quer dizer, fui eu mesma quem amarrou essa pedra.
Não quero, não quero resolver, não quero me preocupar mais, eu gosto das coisas como estão, é, eu sou acomodada. E quem não é?
Tem um dizer popular: é melhor um pássaro na mão do que dois voando. Pois bem, melhor não arriscar o nada que se tem.
E a quem eu quero enganar? Guardo aqui dentro do peito todas as minhas certezas, eu sei bem o que acontece, sei onde entrei, sei como começou e sei exatamente como vai terminar... aliás, talvez eu goste disso, não acaba nunca porque já se tornou outra coisa que não sei o que é. Não trabalho com a possibilidade do fim, isso seria o problema?
Não, não há problema nenhum, os problemas não existem, são apenas criação das nossas mentes doentias... e gritar não resolve nada, nem fumar 3 carteiras de cigarro.
Mas é claro que dói, como qualquer sentimento não-correspondido, como qualquer ferida aberta, mas eu aguento. Tô aqui, de peito aberto, pra dor e alegria, e o problema talvez seja esse, não se pode ser feliz todo dia... aceitar, aceitar, aceitar... repetir pra mim mesma, até me convencer disso.